As impressões de um pai sobre a coleta de sangue do cordão umbilical

Conforme falei no post “Que tipo de pai eu sou”, sou muito preocupado com saúde, motivo que me fez valorizar a coleta de sangue do cordão umbilical por causa das células-tronco. Também falei que esse assunto para mim é um tanto polêmico. Não é algo que eu goste de ficar falando por aí. Mas aqui no blog me sinto mais a vontade de me abrir, pois apesar de público, está para ser lido por quem quiser apenas.

Durante o período de acompanhamento pré-natal do Arthur comecei a me inteirar mais sobre o assunto. Sabia que era algo a ser feito no momento do parto, mas não sabia muito além.

Pré-Natal
Pré-Natal

Achava que fosse algo tão bom que por isso seria muito caro, “somente para ricos”. Sinceramente, eu não duvidaria há dois anos atrás se alguem dissesse que o custo era R$ 30 mil (e definitivamente não seria para mim).

Mas peguei dois folhetos na Clínica Parente, onde estávamos fazendo o acompanhamento. Um era do BCU e outro era da Cryopraxis.

Olhei os folhetos, entrei em contato pela internet com as duas empresas e aguardei.

No entanto, era um assunto que eu e a Cleu nunca havíamos conversado. Temia que ela achasse que fosse um cuidado exagerado.

Perguntei ao médico que atendia a Cleu, o Dr. Luis Miguel Parente, o que ele achava do assunto. Ele disse que achava interessante, e que se fosse hoje, faria para os filhos dele. Até achei engraçado, pois ele pareceu querer ser bem imparcial na resposta. E recentemente vi um video dele na RBS, onde ele defendia o assunto. Talvez assim como eu, ele também ache um assunto chato de se ficar conversando.

Rapidamente recebi o retorno por e-mail das duas empresas, e nos dois casos fui questionado sobre alguns dados básicos, como data provável de nascimento. Com as respostas vieram as propostas.

Fiquei muito contente quando vi que se tratava de um procedimento cujo o custo era da ordem de R$ 3000.

Ao mesmo tempo também fiquei sabendo sobre o banco nacional, onde a coleta é feita gratuitamente. Achei extremamente interessante:

  1. Como já foi dito, é de graça para coletar
  2. O material fica armazenado em um banco público, e disponível a qualquer pessoa que precisar

Mas tem seus pontos negativos:

  1. Segundo me disseram e não sei se é verdade, o parto precisa ser feito pelo SUS e não é qualquer hospital que faz o procedimento
  2. O material fica disponível para qualquer pessoa – a vantagem também é uma desvantagem. Pode não estar lá quando for preciso.

Penso que em um mundo ideal, o governo brasileiro poderia exigir que a coleta fosse feita em todos os partos. Logo, assim como você doa células-tronco, quando precisar haverá grande chance de ter um doador também. Mas isso só para daqui há muito tempo, e se acontecer. Haveria ainda muitos outros questionamentos políticos possíveis: o que fazer com estrangeiros que venham ao Brasil apenas por causa da grande quantidade de material?

Enfim, não é algo que acho prático para agora e a ideia foi descartada.

Há uma lista já grande de doenças que podem ser tratadas hoje em dia com células tronco, principalmente doenças do sangue. Mas há muitas outras coisas sendo estudadas.

Um investimento desse tipo é como um seguro. Você paga para não ter que usar. E vendo dessa forma positiva, acho impagável que uma pessoa daqui a mais de 50 anos possa, por que não, receber um novo coração feito a partir de suas próprias células-tronco. Ou novos olhos e não precisar fazer cirurgia nem de catarata nem de miopia. Foi esse tipo de pensamento que me fez desejar muito isso para o Arthur. E não estou pensando bobeira. Isso não é possível hoje, mas já é algo estudado há tempos. Na Espanha há um laboratório específico para isso. Há até também estudos para multiplicação das células-tronco coletadas, então daqui um tempo esse tesouro poderá ser usado sem “pena” para coisas que possam ser consideradas não-críticas.

Para mim, sinceramente pareceu só vantagem e nunca algo desnecessário. Acho até triste pensar, mas vejo como uma realidade: daqui a 70-90 anos vai ter muito velhinho por aí se despedindo, como sempre aconteceu, enquanto outros num piscar de olhos vão se recuperar de seus problemas e ganhar um “gás” por mais alguns anos.

Na necessidade, o preço das coisas perde a importancia, então por isso acho que o preço cobrado hoje em dia tem um custo-benefício bom. Não entendo portanto, o que faz alguem gastar R$ 40 mil em uma festa de casamento e depois achar esses R$ 3000 caro.

Ao fim, optamos por fazer com o BCU, mesmo que este tenha apresentado um preço pouquíssima coisa superior. O motivo foi que o atendimento foi muito melhor. Na Cryopraxis, me ligaram de um call center, onde qualquer contato que eu quisesse fazer de volta teria que ser para um número geral e cada vez falar com uma pessoa diferente. E eu detesto call-center. No BCU fui sempre muito bem atendido pela mesma pessoa.

Este é o primeiro post que escrevo sobre o assunto. Com ele espero ter conseguido passar minhas impressões como pai sobre o assunto. Posteriormente escreverei mais sobre o assunto tecnicamente. Farei um review sobre os serviços prestados pelo BCU e também uma entrevista com a responsável do BCU pela região de Florianópolis, a Vanessa Rockenbach. Espero ainda com esse post conscientizar de forma não invasiva pessoas que estejam em dúvida sobre o assunto.

Também gostaria de deixar claro que a minha opinião aqui apresentada sobre essas empresas relacionadas a coleta e armazenamento de células-tronco refletem apenas minhas impressões, sem nenhum interesse de propaganda. Até estou fazendo um curso sobre empreendimentos digitais, e muitas das técnicas de se monetizar um site eu estou testando aqui no diário (por isso há propagandas), mas não nesse caso do BCU.

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Post Author: mario

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