Falando a segunda língua com o filho na presença de outros

Esse é mais um post da série: Criando filhos bilíngues.

Existem várias metolodogias na criação de um filho bilíngue, sendo que as mais comuns são:

  • OPOL – One parent, one language
  • ML@H – Minority language at home

Em casa o que fazemos é o OPOL. Eu falo em inglês com o meu filho e minha esposa fala em Português com ele. Ele também está exposto ao Português por todos os cantos, já que é a nossa língua, e principalmente na escola onde estuda em período integral. Então, em se falando da “língua da minoria”, ou seja, a língua que não é a falada em nossa comunidade, como agir na presença de outros?

Isso sempre foi um desafio para mim. Não há regras firmes. Cada um deve fazer como prefere. Em nosso novo site nnsparents.com isso frequentemente é assunto, bem como em blogs do mundo todo.

Também é um assunto abordado no livro The Bilingual Edge: The Ultimate Guide to Why, When, and How.

Há quem diga que prefere sempre falar a língua da minoria, não importa onde, pois como é a língua a qual o filho tem menos chance de exposição, todo o contato é bem vindo. Há quem prefira deixar o OPOL reservado para quando dentro de casa.

No nosso caso não temos assim uma regra tão rígida. Até isso não é recomendado por especialistas, pois a rigidez pode acabar criando regras que venham a dificultar a comunicação. O que eu vinha fazendo era: falar inglês com o meu filho em casa e em português quando fora, como em um parque, shopping e supermercado. Mas não exatamente por que eu queria assim. Era mais por não me sentir a vontade mesmo mas aos poucos fui me permitindo mudar isso.

Hoje percebo que mesmo em público acabo falando em inglês com o meu filho de forma muito natural. Também meu inglês melhorou bastante nestes quase dois anos.

Há quem diga que é bom sempre traduzir para os demais. Há quem diga que é falta de educação dos demais que não estão na conversa querer saber o assunto. Eu sinceramente não me sinto mal em não traduzir. Acho que isso burocratiza demais a comunicação. E como se trata de inglês, muita gente acaba entendendo. Também estou acostumado a conviver com muita gente falando alemão sem eu entender. Cresci ouvindo muitas conversas em japonês sem entender. Para mim acaba sendo um comportamento normal.

Com certeza tem ainda momentos que eu uso o Português com o meu filho mesmo me dirigindo a ele. Por se tratar de uma criança, muitas vezes você está falando algo e incluindo alguem como por exemplo: “dá um abraço no tio João”.

Mas fico contente que minha comunicação com o meu filho ganhou essa evolução: o que para mim antes era um bloqueio agora acaba saindo de forma muito natural, seja num supermercado, seja em uma festa. Eu nunca fui de falar alto (a não ser quando eu era pequeno) então tenho a impressão que nunca ninguem está ouvindo mesmo.

Mas já aconteceu de quem estar por perto perceber e me perguntar. E nas vezes que ocorreu, foi com pessoas que tinham um inglês muito bom e que moraram um tempo nos Estados Unidos. E acharam muito legal.

Se você tem algo a compartilhar sobre o assunto, adoraria ouvir a sua experiência e faço o convite para se inscrever também no nnsparents.com (Non-native speaking parents).

Papai e Arthur
Papai e Arthur

 

Se deseja comprar o livro The Bilingual Edge: The Ultimate Guide to Why, When, and How, pode comprar pelo Amazon no link abaixo (Kindle e Paperback) ou com frete grátis no The Book Depository.

 

Facebook Comments

Post Author: mario